Visualização de dados. Parte (III), uso da cor

Análise de dados

Devemos considerar que, além da escolha do gráfico adequado, o uso correto da cor ajuda a transmitir uma mensagem mais clara e facilita a interpretação dos resultados.

 

O uso adequado da cor ajuda a transmitir uma mensagem mais clara

 

Não se trata apenas de estética. A cor funciona como guia para destacar dados relevantes, identificar categorias e tendências. É por isso importante orientar o processo de análise e, sobretudo, evitar ao máximo que os dados necessários fiquem ocultos ou possam gerar confusão.

Princípios básicos do uso da cor

Para utilizar as cores adequadamente, devemos considerar uma série de princípios fundamentais que garantam a correta transmissão da informação pretendida nas nossas visualizações. Estes princípios podem ser resumidos nas secções seguintes

Utilizar cores de forma coerente: É importante utilizar as cores de forma coerente na visualização de dados. Isto significa que as mesmas cores devem representar as mesmas categorias ou tipos de dados em diferentes gráficos ou visualizações. Isto facilita ao utilizador a compreensão da informação e a comparação de diferentes gráficos.

Utilizar cores com contraste: Para melhorar a legibilidade e visualização, é importante utilizar cores com contraste suficiente para que os utilizadores possam distinguir facilmente os diferentes elementos e destacar dados importantes.

Escolher um esquema de cores adequado: A escolha de um esquema de cores adequado é importante para que os utilizadores possam interpretar corretamente a informação. Os esquemas de cores devem ser simples e fáceis de distinguir. Habitualmente, fala-se em paletas de 8 a 12 cores diferentes. Acima deste intervalo, a própria forma como o cérebro processa a informação dificulta a distinção entre valores.

Esquemas de cores qualitativos e sequenciais: Os esquemas de cores dividem-se, essencialmente, em dois tipos: qualitativos e sequenciais. Os esquemas qualitativos representam categorias. Os esquemas de cores sequenciais representam valores numéricos. A escolha do esquema de cores deve estar alinhada com o tipo de dados a representar.

Os esquemas qualitativos utilizam-se para representar categorias


Considerar o público-alvo: Ao escolher um esquema de cores, é essencial ter em conta quem vai utilizar a visualização. Diferentes perfis podem ter preferências e necessidades distintas na perceção das cores, e alguns utilizadores podem ter limitações visuais ou dificuldades na distinção cromática. A seleção de um esquema de cores adequado contribui diretamente para a acessibilidade e para uma melhor compreensão da informação por todos.

Esquemas de cores qualitativos, a cor como legenda

Na construção das análises, é particularmente útil definir um conjunto de cores que permita identificar os diferentes valores de uma dimensão. Este princípio de coerência, de atribuir sempre a mesma cor ao mesmo valor ao longo das várias análises, facilita a leitura imediata por parte dos utilizadores, permitindo-lhes reconhecer rapidamente os elementos mais relevantes no conjunto de dados em análise.

Graficos dados uso color esPublico Gestiona
Gráficos de dados uso de cor espublico Gestiona

Como se pode observar no exemplo, utilizam-se três cores distintas para cada um dos valores da dimensão de análise “tipo de interessado” (Cidadãos, Empresas e Administrações Públicas).

Retomando os conceitos base referidos anteriormente, o primeiro critério aplicado foi a utilização de cores com contraste suficiente, permitindo distinguir facilmente os diferentes segmentos. Assim, após uma primeira leitura, o utilizador consegue associar cada cor ao respetivo valor e manter essa associação nas leituras seguintes.

Neste ponto, a coerência no uso da cor é crítica: cada valor deve estar sempre associado à mesma cor em todos os elementos onde essa dimensão é utilizada. Isto melhora a compreensão analítica e torna muito mais eficiente a identificação de padrões, evoluções e tendências para cada valor.

No exemplo, o gráfico de barras, que representa a evolução do número de processos por tipo de interessado, permite identificar facilmente cada segmento, mesmo sem legenda explícita. Este efeito é conhecido como “legenda silenciosa” e resulta precisamente do uso consistente da cor para cada valor analisado.

Dados uso cor espublico Gestiona

Em contrapartida, se este critério não for seguido, a análise torna-se mais exigente, mesmo quando os gráficos são simples e incluem legendas. A falta de consistência obriga o utilizador a reaprender a correspondência entre cores e valores em cada visualização.

Esquemas de cores sequenciais

Ao contrário dos esquemas de cores qualitativos, que associam cada cor a um valor de uma categoria ou dimensão, os esquemas de cores sequenciais são utilizadas para representar dados contínuos.

 

Os esquemas de cores sequenciais são utilizados para representar dados contínuos

 

Os esquemas de cores sequenciais permitem evidenciar, de forma imediata, os elementos com maior peso dentro de um determinado cálculo. Por exemplo, ajudam a identificar regiões com maior densidade populacional ou áreas onde está concentrado um maior número de processos de um determinado tipo.

dados uso cor espublico Gestiona

No exemplo, é utilizado um gradiente sequencial, em que cores mais claras representam valores mais baixos e cores mais escuras valores mais elevados. Este tipo de representação permite destacar rapidamente os elementos que exigem maior atenção pelo seu impacto na atividade analisada. Em alguns casos, esta lógica pode ser invertida, caso faça sentido evidenciar os valores mais baixos.

Para além dos gradientes sequenciais, e com o objetivo de reforçar a distinção entre valores baixos e elevados, podem ser utilizados gradientes divergentes para destacar extremos positivos e negativos. 

dados uso cor espublico Gestiona

Como resultado, a visualização destaca de forma clara os elementos mais críticos, por exemplo, processos com mais tempo em aberto, permitindo direcionar a atenção para a sua análise, priorização e resolução

Cores com significado

Ao atribuir cores e definir os esquemas associados aos elementos analíticos, é essencial ter presente que algumas cores transportam significados implícitos, resultantes de convenções culturais e do uso comum.

Um exemplo claro são os indicadores do tipo semáforo. O vermelho é imediatamente interpretado como sinal de paragem e, consequentemente, como algo negativo ou de alerta. Pelo contrário, o verde está associado à normalidade ou bom desempenho. Já o amarelo, é visto como sinal intermédio de atenção ou precaução.

imagem 7,0%

Uma utilização adequada destas cores permite reforçar a mensagem analítica. Por exemplo, num KPI, uma descida pode ser destacada como negativa (quando aplicável), acionando um sinal de alerta para o utilizador aprofundar a análise e identificar causas. Pelo contrário, pode reforçar a ideia de que a operação está dentro dos parâmetros esperados.

Assim, na definição das cores, deve prever-se uma cor (ou gama) para valores positivos (tipicamente tons de verde), uma cor para valores negativos (geralmente tons de vermelho) e uma cor para alertas (normalmente amarelos ou laranjas).

Estas cores devem ser usadas de forma complementar. Não é boa prática utilizá-las em esquemas qualitativos, para evitar associar interpretações positivas ou negativas a categorias que não o justificam. O mesmo se aplica a esquemas sequenciais que não pretendam transmitir essa leitura de “bom vs. mau”.

Por outro lado, quando se pretende uma leitura neutra, o destaque pode ser conseguido através de variações de intensidade ou contraste (cores mais escuras ou mais saturadas), permitindo evidenciar determinados valores ou categorias sem introduzir interpretações implícitas.

Acessibilidade

Como vimos, o uso da cor é um elemento central na apresentação de dados, ajudando a evidenciar tendências, padrões e pontos relevantes. No entanto, nem todos os utilizadores percecionam as cores da mesma forma. Estima-se que cerca de 9% da população tenha algum tipo de daltonismo, o que implica dificuldades na distinção de determinadas cores.

cores visão normal e cores protanopia

Além disso, existem outros fatores que afetam a perceção: limitações visuais, envelhecimento, condições de iluminação ou até a qualidade do ecrã. Isto obriga a que gráficos e visualizações sejam concebidos para serem acessíveis a todos, independentemente da capacidade visual.

O uso da cor é um elemento central na apresentação de dados

 

Para garantir o correto uso da cor, é fundamental seguir algumas orientações. Em primeiro lugar, devem ser escolhidas cores facilmente distinguíveis por pessoas com daltonismo ou outras limitações visuais. De um modo geral, os azuis, verdes, amarelos e vermelhos-escuros são opções mais seguras. Além disso, é essencial assegurar um contraste adequado entre as cores utilizadas, pois isso facilita a leitura dos dados por parte de utilizadores com dificuldades visuais. 

Por outro lado, é igualmente importante disponibilizar alternativas para quem não consegue interpretar corretamente as cores. Por exemplo, podem ser incluídas etiquetas ou padrões que identifiquem diferentes categorias de dados em conjunto com as cores. Desta forma, mesmo quem tem dificuldade em distinguir cores consegue compreender a informação apresentada.

Conclusão

Tal como vimos, o uso correto da cor melhora significativamente a análise e interpretação dos dados. Por outro lado, um uso incorreto reduz a eficácia da análise, dificultando a interpretação do que está a ser apresentado e podendo mesmo conduzir a erros de interpretação (por exemplo, ao utilizar uma cor com significado implícito, como o vermelho, para representar valores positivos de desempenho).

Um uso adequado da cor é um elemento essencial numa visualização de dados eficaz

Assim, o uso adequado da cor é um elemento essencial numa visualização de dados eficaz, não apenas do ponto de vista estético, mas sobretudo como suporte a uma análise mais clara e a uma compreensão mais rápida da informação.

 

Artículos Relacionados:
Autor
Paco Orte
Paco Orte
Arquiteto de dados e analista de negócios

Com mais de 20 anos de investigação e colaboração em diferentes projetos de análise de dados. Tem uma vasta experiência em diferentes tecnologias de BI, com especial incidência na plataforma de análise Qlik. 

Ver todos os seus artigos

Subscreva a nossa newsletter e não perca nenhum artigo

Pode cancelar a subscrição a qualquer momento clicando no link no rodapé dos nossos e-mails. Utilizamos o Mailchimp como a nossa plataforma de marketing. Ao clicar abaixo para se inscrever, reconhece que as suas informações serão transferidas para o Mailchimp para processamento. Consultar mais informações sobre as práticas de privacidade do Mailchimp.



Política de cookies

A tua privacidade é importante para nós.

Utilizamos cookies de terceiros para medir e melhorar a tua experiência. Aceitas?

Cookies essenciais
Siempre activas
Cookies analíticos

ACEITAR SELECCIONADO



Mais informações sobre cookies

subir